The true story # 2

              Bem, eu tinha de ir para casa da Natasha e como tal tive de gastar a ultima nota de 5€ que me restava. My sweet Money, where did you go!! Lá comprei um bilhete para Chelas. Não era muito longe de onde eu vivia nem a melhor zona de sempre, mas ao menos tinha onde ficar, e podia muito bem agradecer aos céus por ter tido esta oportunidade, agora so me restava não desperdiça-la. Sentei-me num banco na estação, e enquanto esperava retirei a caixa de mortalhas king size do bolso do casaco e o saquinho de erva. E ali fui enrolando aquela réstia de erva, a última que podia fumar, pois o dinheiro estava escasso. Dava um bafo, em cada expiração o fumo saia da minha boca, tomando estranhas formas. 
             -Desculpa? Tens uma mortalha que me possas arranjar? – Havia perguntado um rapaz que se dirigia ao meu encontro. Eu fitava-o enquanto ele caminhava até mim. Cabelos compridos, super despenteados, escuros e brilhantes, envoltos num lenço que estava enrolado á volta da sua cabeça que se atava um pouco acima da nuca. Barba por fazer, mas não muito grande, de sua estatura média, vestia uma camisa de xadrez azul e preta, umas calças vermelhas bem justinhas, e uns vans pretos. Perfeito, perfeito, perfeito, pensava eu para mim.
             -Sim tenho, mas toma lá duas, não te dê uma súbita vontade mais logo – Estava séria, isenta de expressões faciais, nem sequer o olhei na cara enquanto lhe dava as mortalhas. Lá porque o achava lindo, não significava que tivesse de fazer grandes alaridos, ou fazer cenas idiotas típicas de raparigas histéricas. Ele fez cara de enjoado e disse:
             -Obrigada, mas vê lá se mudas de cara, fuma, que passa! – De repente a cara de enjoado, deu lugar a um sorriso trocista, mas deveras sensual.
             -Acabei agora mesmo de fumar, e népia, não posso mudar de cara.
             -Ai sim? E porquê? – Perguntou ele todo gozão.
             -Porque é a única que tenho! – Olhava para ele, enquanto respondia, com uma sobrancelha levantada, e um sorriso intriguista no rosto. 
             -Uáu, que graça…- Começava a não gostar da conversa, mas eu não liguei muito. Pisquei-lhe o olho com ironia, agarrei na minha mala e fui em direcção á linda. Bastante tempo havia passado desde que tinha feito a chamada, o sol já raiava no horizonte, e o comboio já se aproximava.  Subitamente ouvi o rapaz chamar-me:
             -Será que posso saber o teu nome, pessoa tipicamente mal-humorada?
             -Quem sabe um dia fanfarrão! – Ri-me e entrei no comboio, deixando-o para trás. Ele ainda me fitou por alguns segundos mas depressa seguiu o seu caminho, tal como eu havia feito. 
              Aquele sol alaranjado que surgia por entre os edifícios altos sempre me fascinou, desde que era criança. Despertou-me as lembranças de uma infância perfeita, onde as responsabilidades ainda nem faziam parte do meu vocabulário. Era tão inocente, de cabelos longos, castanhos-escuros tão suaves. Os meus vestidinhos faziam-me parecer uma pequena boneca. Agora nem sei como me definir a mim própria, sou uma desilusão para toda a gente, e por mais erros que cometa, parece que não aprendo. Naquele momento dei por mim a desejar voltar atrás, viver toda aquela felicidade de novo. Ter os meus pais novamente. Mas de que me adiantava isso agora? O sol era lindo, mas ainda não tinha o poder de me conceder desejos.

2 comentários:

  1. Acredito que sim :$

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  2. =) ohh está a ficar espectacular ! Vais escrever a continuação =)? Estou a gostar mesmo muito :D. Gostei mesmo das características das personagens :) deu para imaginar ^^

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